Hoje eu acordei mais cedo e fiquei te olhando dormir, imaginei algum suposto medo para que tao logo pudesse te cobrir. Tenho cuidado de voce todo esse tempo, voce esta sob o meu abraço e minha proteçao. Tenho visto voce errar e crescer, amar e voar, voce sabe onde pousar. Ao acordar ja terei partido, ficarei de longe, escondido. Mas sempre perto, decerto, como se eu fosse humano, vivo, vivendo pra te cuidar, te proteger, sem voce me ver, sem saber quem sou, se sou anjo ou se sou seu amor. Afinal, quem eu sou? Seu anjo ou seu amor? Tenhos asas? Anjos protegem, cuidam aparecem invisiveis, humanos tambem quando amam. Quero dizer que ja nao importa saber de onde venho, se tudo que sou pra voce é amor. E se ainda assim quiser voar te levo comigo, te mostro as estrelas, outros alados, Deus, a vida celeste... Depois voltaremos pra casa, e mais uma vez humanos, nos amarmos ate morrermos, pra dizer que é seu o anel, sou o seu amor na terra e seu anjo no céu. (Saulo Fernandes)
Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir

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