Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Foi-se o tempo em que falar com você me deixava nervosa, foi sem nem sequer despedir-se. Se eu sinto saudades? Nem de longe, o que eu sinto tem outro nome. Confesso que chega a ser estranho, eu não entendia como fazer para suportar a dor de ver tanto sofrimento desfilar na minha frente, mas o tempo nos ensina cada coisa, lições inesquecíveis. Sim, eu ainda lembro principalmente das lágrimas, mas vamos deixá-las no passado, onde elas e você estão.
Hoje eu queria falar que pensei em você, sim é verdade. Dias desses eu te vi, pra ser sincera me deu vontade de ficar te olhando, mas era somente para entender o porquê de tanto choro derramado. Não te olhei por mais de 3segundos e nem busquei entender o passado.
Você até tenta ser simpático, mas me pergunto porque tantos sorrisos nos quais eu não consigo acreditar, às vezes poderia ser cômico se não fosse trágico, se fosse real. 






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