Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir



Tudo começou no colégio Alfredo Gomes, em Botafogo. Flávio da Silva Ramos, um menino de 14 anos, passava as aulas pensando naquele jogo entre Brasil e Inglaterra que assistiu no campo do Paissandu. Começava a surgir em sua cabeça a ideia de montar um time de futebol, até porque, um grupo de jovens de Laranjeiras e Flamengo havia fundado recentemente o Fluminense Football Club. 

Um dia Flávio mandou um bilhete para o amigo Emmanuel de Almeida Sodré: "O Itamar tem um clube de futebol que joga na rua Martins Ferreira. Vamos fundar outro, no Largo dos Leões. Podemos falar ao Werneck, ao Artur Cesar, ao Vicente e ao Jacques. O que você acha?" (...)




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