Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Excesso desmedido, compulsivo e insensato. Acontece que uma hora isso tudo tem que
acabar e você tem que amadurecer. Tá, que amar desmedido é uma delícia, mas
comedimento e racionalidade fazem muito bem, obrigada. Por entre lençóis, eram muitas as
vezes em que eu não entendia a minha permanência teimosa naquela cama vazia. isso
bastou até o momento em que não bastou mais. Você me bastou até me faltar. Era um
sentimento loucamente desenfreado, que fez o quarto ficar pequeno, o apartamento ficar
pequeno, os sonhos ficarem pequenos.. no fim das contas, foi você quem ficou pequeno
demais pra mim. Me escorria amor por entre os dedos enquanto o destinatário tinha a caixa
de correio abarrotada por envelopes ainda selados. Amor em demasia, pra uns, é amor
demais. Redirecionei. Aluguei um depósito, depois outro e outro. Não pedi nada de volta,
deixei contigo as linhas torpes de um amor que não coube mais em cativeiro. Contigo ainda
existem envelopes meus que hoje já não significam nada. Não significam mais nada.
Driih linda!
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