(...)
Brown: Colou dois manos, um acenou pra mim, de jaco de cetim, de tênis e calça jeans...
Ice Blue: Ei, Brown, sai fora, nem vai, nem cola... Não vale a pena dar ideia nesse tipo, aí! Ontem à noite, eu vi na beira do asfalto tragando a morte, soprando a vida pro alto... Ó os caras: só pó, pele e osso, no fundo do poço com vários flagrantes no bolso...
Brown: Veja bem, ninguém é mais que ninguém, veja bem, veja bem, eles são nossos irmãos também...
Ice Blue: Mas de cocaína e crack, whisky e conhaque, os manos morrem, rapidinho, sem lugar de destaque!
Brown: Mas, quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem fuma? Nem dá, nunca te dei porra nenhuma! Você fuma o que vê, entope o nariz, bebe tudo o que vê, faça o diabo feliz!
Você vai terminar, tipo um outro mano lá que era um preto, tipo A, ninguém tava numa, mó estilo, de calça Calvin Klein e tênis Puma, é... no jeito humilde de ser no trampo e no rolê... Curtia uns funks, jogava uma bola, buscava a preta dele no portão da escola... Exemplo pra 'nóis', mó moral, mó ibope, mas começou a colar com os branquinhos do shopping... aí, já era! Ih, mano, outra vida, outro pique... só mina de elite, balada, vários drinks... Puta de boutique, toda aquela porra, sexo sem limite, sodoma e gomorra. Faz uns nove anos, tem uns quinze dias atrás eu vi o mano, cê tem que ver: pedindo cigarro para o tiozinho no ponto, dentes todos zoados, bolso sem nenhum conto. O cara cheira mal, a tia sente medo, muito louco de sei-lá-o-que logo cedo! Agora, não oferece mais perigo... viciado, doente, fodido, inofensivo!
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