Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Quando não há compaixão ou mesmo um gesto de ajuda, o que pensar da vida e daqueles que sabemos que amamos? Quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria. Não se pode fechar os olhos, não se pode olhar pra trás sem se aprender alguma coisa pro futuro. Corri pro esconderijo, olhei pela janela... o sol é um só, mas quem sabe são duas manhãs. Não precisa vir se não for pra ficar pelo menos uma noite e três semanas. Nada é fácil, nada é certo, não façamos do amor algo desonesto! Quero ser prudente e sempre ser correto, quero ser constante e sempre tentar ser sincero. E queremos fugir, mas ficamos sempre sem saber... Seu olhar não conta mais histórias, não brota o fruto e nem a flor, e nem o céu é belo e prateado, e o que eu era eu não sou mais, e não tenho nada pra lembrar. Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar; acho que sempre lhe amarei, só que não lhe quero mais. Não é desejo, nem é saudade... Sinceramente, nem é verdade! Eu sei porque você fugiu, mas não consigo entender. Eu sei porque você fugiu, mas não consigo entender... (L'avventura.)


                                         Renato Russo. Genial Renato Russo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário