Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
"Ela também teve seu coração machucado". Dilacerado, imagino. Normal. Desse mal, meu bem, ninguém escapa, mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites, dei meu coração de bandeja. Sim, sonhei com casinhas, jardins e filhos lindos correndo atrás de mim. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos, e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas, tantas, tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor, que viver um amor. Tantos amigos, tantos lugares, tantas frases e livros e sentidos, tantas pessoas novas, indo, vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele, olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói, dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço, meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!



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