Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Cedo ou tarde. Quente ou frio. Dentro ou fora. Preto ou branco. Fechar ou abrir. Em cima ou em baixo. Esquerdo ou direito. Amar ou se apaixonar. Ouvir ou ler. Ser ou fingir. Engordar ou emagrecer. Tirar ou botar. Chorar ou sorrir. Correr ou andar. Beijar ou abraçar. Viver ou sofrer. Chorar ou engolir. Voar ou nadar. Conhecer ou desconhecer. Te amar ou te odiar. Chuvendo ou ensolarado. Querer ou ter. Gostar ou detestar. Eu ou você.
Em qualquer decisão eu vou ter que escolher algo, e talvez a minha escolha me machuque e me faça sofrer. Em uma dessas minhas escolhas recentes eu resolvi me escolher!


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