Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Ah, se eu fosse marinheiro, era eu quem tinha partido, mas meu coração ligeiro não se teria partido, ou se partisse colava com cola de maresia, eu amava e desamava sem peso e com poesia.. Ah, se eu fosse marinheiro, seria doce meu lar, não só o Rio de Janeiro, a imensidão e o mar leste, oeste, norte e sul, onde um homem se situa, quando o sol sobre o azul ou quando no mar a lua. Não buscaria conforto, nem juntaria dinheiro, um amor em cada porto, ah se eu fosse marinheiro.. (Marina Lima)


Nenhum comentário:

Postar um comentário