Agora eu vou cantar pros miseráveis que vagam pelo mundo derrotados, pra essas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas, pras pessoas de alma bem pequena remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm. Pra quem vê a luz mas não ilumina suas minicertezas, vive contando dinheiro e não muda quando é lua cheia. Pra quem não sabe amar, fica esperando alguém que caiba no seu sonho, como varizes que vão aumentando, como insetos em volta da lâmpada.Vamos pedir piedade, Senhor, piedade pra essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade, Senhor, piedade, lhes dê grandeza e um pouco de coragem. Quero cantar só para as pessoas fracas que tão no mundo e perderam a viagem, quero cantar o blues com o pastor e o bumbo na praça. Vamos pedir piedade, pois há um incêndio sob a chuva rala, somos iguais em desgraça, vamos cantar o blues da piedade! Vamos pedir piedade, Senhor, piedade pra essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade, Senhor, piedade, lhes dê grandeza e um pouco de coragem. (Cazuza)
Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
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