Rótulos me parecem cada vez mais precários. Às vezes mais confundem do que esclarecem. Mas eventualmente são indispensáveis para que as coisas tomem forma, destacando-se da complexa realidade e do nebuloso pensamento nosso. A maior parte dos textos deste livro podem-se chamar de crônicas. Muitos foram publicados em jornal, outros são avulsos que saíram não lembro bem quando nem onde, ou apenas salvei no computador. Vários escrevi especialmente para este livro. Romances, ensaios, poemas e textos breves são o meu jeito de rondar algo que me assusta ou seduz. São os meus temas, alguns dos temas humanos: tramas e dramas existenciais, o sentido o valor da vida, o banal e o misterioso. A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios. Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. Aqui e ali, a noite escura. Não inventei ao dizer que meu leitor é cada vez mais a síntese dos amigos imaginários que me fizeram companhia na infância das minhas perplexidades. Então, venha comigo. Lya Luft - Pensar é Transgredir
Outra noite que se vai, eu não tô correndo atrás. Quanto tempo já passou e a gente nem se falou, quanta coisa a gente faz depois quer voltar atrás.. Outra noite que você passa e finge que nem vê, não esconde o teu rancor, quer tentar me enlouquecer. Quanta coisa a gente faz, depois quer voltar atrás. Então, me diz alguma coisa, bate aqui de madrugada pra lembrar daquele tempo. Pra sempre ou só por um momento? Me dá um beijo na boca e depois me leva pra tua casa. (Armandinho)


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